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quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Trabalho Forçado nos Campos de Concentração: Uma Visão Geral






Prisioneiras efetuando trabalho escravo no campo de concentração de Ravensbrueck. Alemanha. Foto tirada entre 1940 e 1942. — US Holocaust Memorial Museum


Os nazistas submeteram milhões de pessoas ao trabalho escravo sob condições brutais. A partir do inverno de 1933, com o estabelecimento dos primeiros campos de concentração e instalações de detenção, o trabalho forçado imposto aos prisioneiros-- frequentemente sem qualquer objetivo além de humilhá-los e sem o fornecimento de equipamentos adequados, vestimenta, alimentação necessária, ou mesmo períodos de descanso – tornou-se a parte principal das atividades dos campos de concentração nazistas.


Mesmo antes da eclosão da Guerra, os nazistas já impingiam trabalhos forçados aos cidadãos alemães de origem judaica, tanto dentro quanto fora dos campos de concentração. Com o objetivo de aumentar seus ganhos financeiros e para suprir a falta de mão-de-obra, em 1937 os nazistas aumentaram a exploração deste tipo de atividade usando aqueles a quem designavam como "inimigos do estado". No final daquele ano, a maioria dos judeus do sexo masculino residentes na Alemanha havia sido obrigada a trabalhar de forma escrava ou semi-escrava para diversos órgãos governamentais.


No outono de 1939 a Alemanha conquistou a Polônia e lá instaurou seu "General gouvernement". As autoridades de ocupação alemã obrigaram todos os homens, poloneses, judeus ou não, a desempenharem trabalho não-remunerado. Os nazistas exigiram que os judeus poloneses saíssem de onde estivessem residindo e passassem a morar em guetos, concentrando-os e obrigando-os a trabalhar, geralmente em trabalhos braçais. A concentração destes escravos, como no gueto de Lodz por exemplo, fizeram com que empresários de empresas privadas e públicas alemãs lá implantassem 96 fábricas para produzir produtos bélicos para a Alemanha. O volume de pessoas obrigadas ao trabalho forçado aumentou na primavera de 1942, após algumas mudanças na administração dos campos de concentração.


Depois que os nazistas implementaram a "Solução Final", isto é, o andamento do plano de genocídio da população judaica que vivia na Europa, para muitos judeus a possibilidade de trabalhar, ainda que como escravos, significava a única chance de sobreviver, pois os que eram considerados incapacitados para o trabalho eram normalmente os primeiros a serem mortos ou deportados.


Os nazistas também criaram e seguiram uma política de "aniquilação através do trabalho", ou seja, algumas categorias de prisioneiros literalmente tinham que trabalhar até a morte, sendo colocados em condições que os feriam e matavam, ou os tornavam sériamente doentes. No campo de concentração de Mauthausen, por exemplo, os prisioneiros muito magros eram forçados a subir rapidamente os 186 degraus da pedreira carregando pedras muito pesadas.


Após a invasão da União Soviética, em junho de 1941, os alemães deixaram que milhões de prisioneiros de guerra soviéticos morressem através de uma política de negligência deliberada (falta de alimentos, roupas, abrigo e assistência médica). Porém, na primavera de 1942, as autoridades alemãs também começaram a mobilizar os soviéticos para trabalhos forçados em diversos setores relacionados à Guerra. De 1942 a 1944, os alemães deportaram aproximadamente três milhões de cidadãos soviéticos para a Alemanha, Áustria, Boêmia e Morávia como trabalhadores escravos.


No final da Guerra, milhares de deslocados não-alemães foram abandonados na Alemanha, entre eles algumas dezenas de milhares de judeus que embora vítimas das políticas nazistas de deportação, haviam sobrevivido à "Solução Final".


O Sistema dos Campos de Concentração


As autoridades alemãs no âmbito do nacional-socialismo estabeleceram uma variedade de centros de detenção para confinar aqueles que eles definiram como adversários políticos, ideológicos ou raciais do regime. Com o tempo, seu extenso sistema de acampamentos passou a incluir campos de concentração, onde as pessoas eram encarceradas sem observação das normas-padrão aplicáveis ​​à prisão e custódia; Campos de trabalho; Campos de prisioneiros de guerra; Campos de trânsito; E campos que serviram como centros de extermínio, muitas vezes chamados campos de extermínio ou campos de extermínio.

Nos primeiros anos do Terceiro Reich, várias autoridades centrais, regionais e locais na Alemanha estabeleceram campos de concentração para deter opositores políticos do regime, incluindo comunistas alemães, socialistas, sindicalistas e outros da esquerda e círculos políticos liberais. Na primavera de 1933, a SS estabeleceu o campo de concentração de Dachau, que veio para servir como um modelo para uma expansão e sistema de campo de concentração centralizado sob gestão SS.




CAMPOS DE ADMINISTRAÇÃO


Durante 1934, Reichsführer SS (chefe SS), Heinrich Himmler centralizou os campos que mantinham prisioneiros sob as ordens de uma "custódia protetora" (Schutzhaft), sob uma agência chamada a "Inspecção dos campos de concentração" (Inspekteur der Konzentrationslager; IKL). Himmler nomeou o comandante do campo de concentração de Dachau Theodor Eicke como chefe do IKL. Em 1939, Richard Glücks substituiu Eicke como inspetor de campos de concentração. Ele ocupou essa posição até 1945.

Subordinado ao Escritório Principal das SS de 1934 até 1939 e ao Escritório Principal de Operações das SS de 1939 até início de 1942, o IKL tornou-se um departamento do Escritório Central Econômico-Administrativo das SS em março de 1942. Esse movimento Corresponderam à decisão de Himmler de empenhar-se mais intensamente no trabalho do campo de concentração em apoio ao esforço de guerra alemão.

Nomeados pelas insígnias que usavam em suas lapelas dos colarinho dos uniformes, as Unidades de Cabeça de Morte SS (SS-Totenkopfverbände, SS-TV), mais tarde chamadas SS Batalhões de Cabeças de Morte (Sturmbann) e, eventualmente, Regimentos (Standarten), guardou os campos de concentração. Subordinadas ao IKL, essas unidades passaram a ser conhecidas por sua crueldade.

A polícia de segurança alemã (Sicherheitspolizei, Sipo) tinha a responsabilidade exclusiva pela prisão, bem como ordens de encarceramento, libertação, execução ou outra punição disciplinar". A polícia de segurança foi incorporada no Reichssicherheitshauptamt (RSHA) junto com o Serviço de Segurança SS (Sicherheitsdienst, SD) em 1939. Consistia em dois ramos das forças policiais pré-nazistas: o detetive da Agência de Polícia Política Alemã, centralizou e rebatizou a Polícia secreta do Estado (Gestapo, por Geheime Staatspolizei) em 1934, onde investigou o crime politicamente motivado; e enquanto isso, as agências de Detetives de Polícia Criminal, centralizadas em 1936-1937, investigaram crimes que careciam de motivo político aparente.


FORA DAS LEIS DO ESTADO ALEMÃO

A IKL, no entanto, foi o responsável pelos prisioneiros dos campos de concentração a partir do momento em que eles ou elas entraram no campo até o momento em que eles ou elas morreram no campo ou saíram. O comandante do campo e o Batalhão da Morte da SS eram responsáveis ​​pela constante crueldade que muitas vezes levava - e pretendia conduzir - a assassinatos "não oficiais". Estas mortes tinham de ser comunicadas à Polícia de Segurança. Eles eram rotineiramente escritos como "suicídios", mortes "acidentais" e "assassinatos justificados" de prisioneiros que estavam "tentando escapar", "agredindo um guarda", "sabotando a produção" ou "incitando prisioneiros a se revoltarem". As autoridades do campo também relataram assassinatos como mortes por doenças agudas, como "coração fraco" ou "interrupção da circulação".

A partir de 1933, o sistema de campos de concentração, incluindo seus prisioneiros e seus guardas, não estava sujeito a revisão por qualquer autoridade judicial ou administrativa fora do SS e do aparelho policial. Baseado em uma jurisdição extra-legal autorizada por Hitler como Führer, o campo de concentração literalmente ficava fora das leis do estado alemão. Destina-se a servir de centro de detenção para pessoas que os líderes nazistas consideravam um perigo subversivo para a raça alemã. O encarceramento em um campo de concentração raramente estava ligado a um crime específico ou atividade subversiva real; As SS e a polícia ordenaram o encarceramento com base na suspeita de que uma pessoa individual cometeu um crime ou exerceu uma atividade subversiva ou provavelmente cometeu um crime ou se envolveu em uma atividade subversiva no futuro.


QUEM FOI INCARCERADO? 

Assim, os indivíduos poderiam ser encarcerados em campos de concentração indefinidamente:
1) sem nunca serem acusados ​​por um ato específico; 
2) depois de ter sido absolvido das acusações relativas a um crime específico;
3) após a libertação da prisão depois de cumprir uma sentença proferida por um tribunal alemão por um acto específico; 
4), ou porque as SS e as autoridades policiais consideravam que esse indivíduo - muitas vezes com base na alegada inferioridade racial ou alegada "hostilidade racialmente dirigida à Alemanha" - era um perigo para a sociedade alemã.

Depois que a liderança das SS, com a bênção de Hitler, separou as forças policiais pré-nazistas da supervisão administrativa e judicial estadual nos anos 1933-1936, somente as autoridades SS e policiais centralizados podiam determinar quem era um perigo para a "raça" alemã e Ordenar o encarceramento de tais pessoas em um campo de concentração. Para as pessoas percebidas como oponentes políticos e raciais do Reich, a Gestapo emitiu ordens de "custódia protetora" (Schutzhaft), que autorizavam o encarceramento nos campos de judeus, social-democratas, comunistas, liberais, maçons e testemunhas de Jeová, os membros dos movimentos de oposição nacional, os não alemães em geral, pois depois que a Alemanha começou a ocupar a Europa, qualquer outro cujo comportamento - real ou percebido - poderia ser interpretado como oposição politicamente motivada.

Para as pessoas cujo comportamento real ou percebido ou ações, foram considerados criminosos, mas de natureza não política, e sim socialmente desviante, de modo a criar um chamado perigo para a sociedade alemã, a polícia criminal emitiu ordens de "prisão preventiva" (Vorbeugungshaft). Sob essas ordens, que foram muitas vezes motivadas mais por preconceito racial e social do que por violações criminais reais, ciganos, os chamados anti-sociais, criminosos, homossexuais, e os chamados suspeitos de segurança foram encarcerados nos campos de concentração . Embora a linguagem dessas ordens de prisão contenha limites no tempo durante o qual um prisioneiro poderia ser encarcerado, na prática os encarceramentos foram rotineiramente estendidos indefinidamente. Após a Segunda Guerra Mundial começou, Himmler proibiu, em geral, a libertação dos prisioneiros do campo de concentração para a duração da guerra.


FONTE DE TRABALHO FORÇADO 

Além de servir como centros de detenção para pessoas consideradas de perigo para o Reich, o sistema de campo de concentração serviu dois outros propósitos-chave do regime nazista. Em primeiro lugar, correspondendo a uma estreita relação entre a Inspecção dos Campos de Concentração e os gabinetes de negócios e administrativos das SS, os campos deviam ser a fonte de trabalho forçado barato para as empresas detidas ou exploradas pelas SS. Depois de 1938 e bem na Segunda Guerra Mundial, o trabalho do campo de concentração foi desdobrado na produção de materiais de construção para projetos reais de construção gerenciados pelas SS (incluindo a expansão de acampamentos existentes e a construção de novos acampamentos).

Em casos excepcionais, os prisioneiros de campos de concentração foram "alugados" a empresas privadas, tais como as instalações de combustíveis e de borracha sintética da IG Farben estabelecidos em 1941 em Monowitz na Alta Silésia, perto do campo de concentração de Auschwitz. Após a incorporação dos campos na WVHA em 1942, as SS envolveram cada vez mais os prisioneiros de campos de concentração em produzir para a força de guerra alemã, desdobrando-os, ainda sob a guarda SS, a empresas estatais e empresas privadas alemãs, que tinham a força de trabalho cada vez mais escassa.


ASSASSINATO SISTEMÁTICO

Os campos de concentração, do lado de fora do alcance das autoridades judiciais alemãs, sempre tinham sido lugares onde a SS poderia matar prisioneiros. Após o início da guerra, no entanto, os campos tornaram-se cada vez mais aptos para o assassinato sistemático de indivíduos ou pequenos grupos de pessoas.

Tais grupos incluíram: Prisioneiros de guerra soviéticos selecionados por oficiais da Gestapo como particularmente perigosos; Membros de grupos de resistência nacionais; Pessoas consideradas pela Polícia Criminal (Kripo) como criminosos particularmente violentos; grupos de partidários, reais ou percebidos; prisioneiros da Europa Ocidental; Poloneses ou soviéticos, forçados a trabalhar na Alemanha, alegadamente tidos relações sexuais com mulheres alemãs ou terem cometido um crime violento; militares capturados dos EUA e da Grã-Bretanha, que haviam escapado de campos de prisioneiros de guerra e deviam ser mortos sob as provisões do chamado Decreto Bullet de 1944.

Tais prisioneiros, como os judeus europeus que foram assassinados quando chegaram às câmaras de gás dos centros de extermínio, nunca foram oficialmente registrados como prisioneiros, mas morreram normalmente dentro de 24 horas da chegada. Reconhecendo o número crescente dessas operações de matança em pequena escala e porque precisavam de uma maneira eficiente de matar prisioneiros que tinham se tornado fracos demais para trabalhar, as autoridades SS equiparam vários campos de concentração com câmaras de gás durante 1941-1942.

Mesmo antes da guerra, o sistema de campo foi ampliado com a construção dos principais campos de Sachsenhausen (1936); Buchenwald, perto de Weimar (1937); Flossenbürg e Mauthausen(1938); campo das mulheres concentração de Ravensbrück (1939); Auschwitz (1940), que mais tarde também iria servir como um centro de extermínio; e Natzweiler na Alsácia (1941). À medida que a necessidade de mão-de-obra de prisioneiros aumentava, especialmente depois do início da Segunda Guerra Mundial, as autoridades SS nesses grandes campos estabeleceram campos satélites. Buchenwald, por exemplo, tinha 88 campos satélites, ou sub-campos, até o final da guerra, em 1945. Alguns campos satélites, como Gross-Rosen e Neuengamme, ambos os sub-campos de Sachsenhausen, cresceram tanto, que se tornaram campos de concentração em seu próprio direito.


EXPANSÃO DE PRISIONEIROS: Populações

A maioria dos primeiros prisioneiros nos campos de concentração, foram representados pelos adversários políticos reais ou percebidos do regime. No entanto, com o passar do tempo, a população prisional foi se expandido para incluir dissidentes ideológicos e religiosos, como as Testemunhas de Jeová e membros dissidentes do clero. A população de prisioneiros também se expandiu para incluir indivíduos cujo comportamento não atendesse às normas sociais existentes, como os homossexuais, os "tímidos de trabalho", vagabundos, outros assim chamados "associais", e ciganos, que eram tidos como um elemento racial e criminoso estrangeiro em solo alemão. Os criminosos habituais também foram encarcerados em campos de concentração começando na década de 1930, muitas vezes depois de terem cumprido as suas sentenças legítimas na prisão.

Após a Kristallnacht ("Noite de Cristal", mais comumente conhecido como "Noite dos Cristais") em novembro de 1938, SS e os oficiais da polícia realizaram prisões em massa de judeus adultos do sexo masculino, que foram presos em campos como Dachau, Buchenwald e Sachsenhausen. O tratamento particularmente brutal dos judeus nos campos de concentração serviu de novo impulso para que os judeus alemães e austríacos emigrassem.

O surto ea expansão da guerra alterou radicalmente a composição do sistema dos campos de concentração. A população do campo expandiu dramaticamente com a chegada de trabalhadores forçados estrangeiros, opositores políticos estrangeiros, combatentes da resistência, e prisioneiros de guerra.


EXECUÇÃO DA "Solução Final" 

Antes da deportação geral de judeus para fora do chamado Grande Reich Alemão, começou em outubro de 1941, a população de prisioneiros crescente, e em muitos campos de concentração em solo alemão, inspirou algumas seleções de prisioneiros iniciais. Os médicos das SS e os chamados funcionários da eutanásia realizaram essas seleções. Começando na primavera de 1941, as autoridades alemãs enviaram prisioneiros doentes e exaustos de Dachau, Sachsenhausen, Buchenwald, Mauthausen, Flossenbürg, Gross-Rosen, Niederhagen, Neuengamme, Ravensbrück e Auschwitz para a morte por eutanásia em centros de extermínio.

Durante a Segunda Guerra Mundial, os médicos nazistas também realizaram experiências médicas em prisioneiros em alguns campos. Estas experiências serviriam para testar produtos farmacêuticos e tratamentos médicos, formular estratégias de resgate e sobrevivência para as tropas do Eixo no campo, conceber métodos eficientes e econômicos de esterilização em massa e sustentar as teorias raciais e anti-semitas nazistas, reivindicando a saúde e a vida de milhares de prisioneiros dos campos de concentração.

Um dos eventos mais significativos para alterar a composição do sistema de campos de concentração foi a decisão de deportar e sistematicamente assassinar os judeus europeus. Para facilitar esta "Solução Final" (a aniquilação física dos judeus), SS e da polícia estabeleceram quatro centros de extermínio na Polônia ocupada pela Alemanha exclusivamente para esta finalidade: Chelmno , Belzec , Sobibor e Treblinka. O pessoal da SS e da polícia de cada um desses campos, utilizou gás de monóxido de carbono para matar os judeus em grande número. A SS também construiu um centro de matança no sistema de campos de concentração. Auschwitz II, mais conhecido como Auschwitz-Birkenau, que começou a matar em operações na primavera de 1942. Em Auschwitz-Birkenau, as SS tinham dentro do sistema de campos de concentração um centro de matança que tinha quatro câmaras de gás e que, no auge das deportações, tinha até 6.000 judeus por dia.

A fim de garantir um fluxo eficiente de judeus de países ocupados pelos alemães, foram estabelecidos os chamados campos de trânsito, tais como Westerbork, na Holanda, ou Drancy, na França, a partir do qual SS e a polícia coordenavam a deportação de judeus e franceses. Do solo francês, iam principalmente para Auschwitz. Em Auschwitz II, os planejadores da "Solução Final", visando maior eficiência, utilizaram o pesticida Zyklon B (ácido cianídrico) para matar prisioneiros por meio do gás. A partir de 1941, as autoridades da SS construídas câmaras de gás para matar pequenos grupos de prisioneiros como parte das operações "de rotina" em Auschwitz I,Lublin / Majdanek , Sachsenhausen, Mauthausen e outros campos de concentração.


EVACUAÇÕES e Libertação 

Como o Terceiro Reich começou a entrar em colapso, milhares de prisioneiros em territórios ocupados pelos alemães foram enviados em marchas forçadas para o interior alemão, a fim de evitar a captura em massa de prisioneiros pelas forças aliadas. Os prisioneiros sobreviventes descreveram essas provações cruéis como "marchas da morte", devido à alta taxa de mortalidade e à crueldade com que os guardas das SS abateram aqueles incapazes de acompanhar. Devido às marchas forçadas e ao colapso das remessas de suprimentos para os campos durante o último inverno da guerra, a contagem de mortes entre prisioneiros de fome, doenças e exposição ao clima aumentou dramaticamente. Os historiadores estimam que quase metade dos mais de 700.000 prisioneiros deixados no sistema de campos de concentração em janeiro de 1945 morreram no final de maio. Centenas mais morreram mesmo depois da libertação, porque seus corpos tinha sofrido muito abuso para permitir a sobrevivência. Nos últimos meses de guerra, a descoberta dos horrores do sistema de acampamento alemão por unidades aliadas trouxe à atenção do mundo o espantoso âmbito das atrocidades nazistas.

Estudiosos estimam que o regime nazista encarcerou centenas de milhares, até milhões de pessoas no sistema de campos de concentração entre 1933 e 1945. É difícil estimar o número total de mortes. Uma estimativa observa um intervalo entre 795.889 e 955.215 mortes de prisioneiros registradas, excluindo as mortes de prisioneiros judeus registrados em Auschwitz e Lublin/Majdanek. Se contamos o número de judeus (registrados e não registrados) mortos em Auschwitz (aproximadamente um milhão) e em Lublin/Majdanek (pelo menos 89.000), o número de mortes no sistema de campos de concentração varia entre 1.885.889 e 2.045.215.


quarta-feira, 30 de abril de 2014

Tribunal de Nuremberg




Uma sentença de morte por enforcamento é pronunciada por um Tribunal de Crimes de Guerra dos Estados Unidos sobre o médico pessoal de Adolf Hitler, Karl Brandt de 43 anos. Brandt também foi comissário para a Saúde e Saneamento do Reich. Fonte



O Processo contra os Médicos foi o primeiro dos 12 julgamentos por crimes de guerra que as autoridades dos Estados Unidos realizaram na zona ocupada de Nuremberg, Alemanha, após o fim da Segunda Guerra Mundial. Estes julgamentos foram organizados pelas cortes estadunidenses e aconteceram no Palácio da Justiça de Nuremberg. Vinte dos 23 acusados eram médicos e acusados de se envolver em experimentos humanos.

Os acusados enfrentaram quatro processos: 



  1. Conspiração para cometer crimes de guerra e crimes contra a humanidade, como descrito nos itens 2 e 3; 
  2. Crimes de Guerra: Experimentos médicos em prisioneiros e participação de mortes em campos de concentração; 
  3. Crimes contra a humanidade; 
  4. Membro de uma organização criminosa, a SS. 
A SS foi declarada uma organização criminosa
Todos os acusados se declararam inocentes.


Os Acusados


Hermann Becker-Freyseng
Stabsarzt na Luftwaffe; Chefe do Departamento de Aviação e Medicina


1ª Acusação: Inocente
2ª Acusação: Culpado
3ª Acusação: Culpado


Sentença: 20 Anos de Prisão.


Wilhelm Beiglböck
Médico na Luftwaffe


1ª Acusação: Inocente
2ª Acusação: Culpado
3ª Acusação: Culpado


Sentença: 15 anos de Prisão.


Kurt Blome
Reichsgesundheitsführer


1ª Acusação: Inocente
2ª Acusação: Inocente
3ª Acusação: Inocente


Sentença: Absolvido.


Viktor Brack


Oberführer na SS e Sturmbannführer na Waffen SS; Chefe do escritório administrativo do Führer no NSDAP (Oberdienstleiter, Kanzlei des Führers der NSDAP)


1ª Acusação: Inocente
2ª Acusação: Culpado
3ª Acusação: Culpado
4ª Acusação: Culpado


Sentença: Morte.


Karl Brandt
Médico pessoal de Adolf Hitler; Gruppenführer na SS e Generalleutnant na Waffen SS


1ª Acusação: Inocente
2ª Acusação: Culpado
3ª Acusação: Culpado
4ª Acusação: Culpado


Sentença: Morte.


Rudolf Brandt
Standartenführer na Allgemeine SS; Chefe do escritório de Himmler (Persönlicher Referent von Himmler);


1ª Acusação: Inocente
2ª Acusação: Culpado
3ª Acusação: Culpado
4ª Acusação: Culpado


Sentença: Morte.


Fritz Fischer
Sturmbannführer na Waffen SS;


1ª Acusação: Inocente
2ª Acusação: Culpado
3ª Acusação: Culpado
4ª Acusação: Culpado


Sentença: Prisão perpétua


Karl Gebhardt
Gruppenführer na SS e Generalleutnant na Waffen SS; Médico pessoal do Reichsfuhrer-SS Himmler; Cirurgião Chefe da SS. Presidente da Cruz Vermelha da Alemanha


1ª Acusação: Inocente
2ª Acusação: Culpado
3ª Acusação: Culpado
4ª Acusação: Culpado


Sentença: Morte.


Karl Genzken
Gruppenführer na SS e Generalleutnant na Waffen SS; Chefe do departamento médico da Waffen SS (Chef des Sanitätsamts der Waffen SS)


1ª Acusação: Inocente
2ª Acusação: Culpado
3ª Acusação: Culpado
4ª Acusação: Culpado


Sentença: Prisão Perpétua.


Siegfried Handloser
Generaloberstabsarzt; Inspetor Médico do exército (Heeressanitätsinspekteur); Chefe dos serviços médicos das forças armadas (Chef des Wehrmachtsanitätswesens)


1ª Acusação: Inocente
2ª Acusação: Culpado
3ª Acusação: Culpado
4ª Acusação: Culpado


Sentença: Prisão perpétua.


Waldemar Hoven
Hauptsturmführer (Capitão) na Waffen SS; Médico Chefe em Buchenwald


1ª Acusação: Inocente
2ª Acusação: Culpado
3ª Acusação: Culpado
4ª Acusação: Culpado


Sentença: Morte.


Joachim Mrugowsky
Oberführer na Waffen SS; Chefe da Higiene da SS


1ª Acusação: Inocente
2ª Acusação: Culpado
3ª Acusação: Culpado
4ª Acusação: Culpado


Sentença: Morte


Herta Oberheuser
Médica em Ravensbruck;


1ª Acusação: Inocente
2ª Acusação: Culpada
3ª Acusação: Culpada


Sentença: 20 anos de Prisão.


Adolf Pokorny
Médico especialista em pele e doenças venéreas


1ª Acusação: Inocente
2ª Acusação: Inocente
3ª Acusação: Inocente


Sentença: Absolvido.


Helmut Poppendick
Oberfuehrer da SS; Chefe do serviço médico da SS


1ª Acusação: Inocente
2ª Acusação: Inocente
3ª Acusação: Inocente
4ª Acusação: Culpado


Sentença: 10 anos de Prisão.


Hans Wolfgang Romberg
Doutor e diretor do Departamento de Aviação e Medicina


1ª Acusação: Inocente
2ª Acusação: Inocente
3ª Acusação: Inocente


Sentença: Absolvido.


Gerhard Rose
Generalarzt da Luftwaffe;


1ª Acusação: Inocente
2ª Acusação: Culpado
3ª Acusação: Culpado


Sentença: Prisão perpétua.


Paul Rostock
Chefe cirurgião do serviço clínico de Berlim; Cirurgião do exército; Chefe do instituto de medicina (Amtschef der Dienststelle Medizinische Wissenschaft und Forschung)


1ª Acusação: Inocente
2ª Acusação: Inocente
3ª Acusação: Inocente


Sentença: Absolvido.


Siegfried Ruff
Diretor do Departamento de Aviação e Medicina


1ª Acusação: Inocente
2ª Acusação: Inocente
3ª Acusação: Inocente


Sentença: Absolvido.


Konrad Schäfer
Doutor do Instituto de Medicina e Aviação em Berlim


1ª Acusação: Inocente
2ª Acusação: Inocente
3ª Acusação: Inocente


Sentença: Absolvido.


Oskar Schröder
Generaloberstabsarzt: Chefe da organização e serviço médico da Luftwaffe (Chef des Stabes, Inspekteur des Luftwaffe-Sanitätswesens)


1ª Acusação: Inocente
2ª Acusação: Culpado
3ª Acusação: Culpado


Sentença: Prisão perpétua


Wolfram Sievers
Standartenführer na SS


1ª Acusação: Inocente
2ª Acusação: Culpado
3ª Acusação: Culpado
4ª Acusação: Culpado


Sentença: Morte


Georg August Weltz
Oberfeldarzt da Luftwaffe; Chefe do instituto de aviação e medicina de Munique


1ª Acusação: Inocente
2ª Acusação: Inocente
3ª Acusação: Inocente


Sentença: Absolvido


Os condenados a morte foram enforcados em 2 de Junho de 1948 em Lansberg.

Retirado de: http://pt.wikipedia.org/wiki/Julgamento_dos_M%C3%A9dicos

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Testemunho de Vladislava Karolewska, para o Tribunal de Nuremberg



TESTEMUNHO ENTROU COMO PROVA NO CASO MÉDICO 

[do National Archives Record Group 238, M887]

Trechos do depoimento de
Vladislava KAROLEWSKA
Nascido 15 de março, 1909, em Yeroman, Polônia 


Vladislava Karolewska, vítima de experiências médicas, que apareceu como uma testemunha de acusação no Julgamento dos Médicos. Nuremberg, Alemanha, 22 de dezembro de 1946. NARA

Pergunta: Você foi operada enquanto estava no campo de concentração de Ravensbrück? 
R: Sim, eu estava. 

Pergunta: Quando isso aconteceu?
 

R: No dia 22 julho de 1942, 75 prisioneiras de nosso transporte de Lublin foram chamadas, convocadas pelo chefe do acampamento. Ficamos antes no escritório do acampamento, e presentes estavam Kogel, Mandel e uma pessoa que eu mais tarde reconhecia como Dr. Fischer. Fomos depois enviadas de volta para o bloco e nos disseram para esperar por mais instruções. No dia 25 de julho, todas as mulheres do transporte de Lublin foram convocados por Mendel, que nos disse que não tínhamos permissão para trabalhar fora do acampamento. Além disso, cinco mulheres do transporte que veio de Varsóvia foram convocadas com a gente ao mesmo tempo. Nós não fomos autorizadas a trabalhar fora do acampamento. No dia seguinte, 75 mulheres foram convocadas novamente e tivemos que ficar diante do hospital no acampamento. Estiveram presentes Schiedlauski, Oberhauser, Rosenthal, Kogel e o homem que eu reconheci depois como Dr. Fischer. 

Pergunta: Agora, você vê Oberhauser na doca dos réus aqui?  

(A testemunha pediu permissão para ir perto da doca e ser capaz de vê-los.)


Herta Oberheuser, médica em julgamento por ter realizado experiências médicas em prisioneiros de campos de concentração. Nuremberg, Alemanha, em agosto de 1947. NARA


MR. MC HANEY: Por favor, faça. 

(Testemunha caminhando para atracar e apontando para Dra. Oberhauser).

MR. MC HANEY: E Fischer? 

(Testemunha aponta para Dr. Fischer)

MR. MC HANEY: Vou pedir que recordem que a testemunha devidamente identificou os Réus Oberhauser e Fischer.

O PRESIDENTE: O registro mostra que a testemunha identificou corretamente os réus Oberhauser e Fischer. 
Eu acho que neste momento o Tribunal terá um recesso de 15 minutos.
(O recesso foi tomado)

O marechal: O Tribunal está em sessão.

Pergunta: Testemunha, disse ao Tribunal que, em julho de 1942, cerca de setenta e cinco meninas polonesas, que estavam no transporte de Lublin, foram chamadas no campo de Ravensbrück? 

R: Sim. 

Pergunta: Agora, quais dessas meninas foram selecionadas para a operação? 

R: Neste dia nós não sabíamos por que fomos chamadas antes dos médicos do campo, e no mesmo dia dez de vinte e cinco meninas foram levadas para o hospital, mas elas não sabiam por quê. Quatro delas voltaram e seis permaneceram no hospital. No mesmo dia, seis delas voltaram para o bloco, depois de terem recebido uma injeção, mas não sabíamos que tipo de injeção. Essas meninas que receberam injeções, foram mantidas no hospital, mas não conseguimos entrar em contato com elas para ouvi-las. Poucos dias depois, uma das minhas companheiras conseguiu chegar perto do hospital e viu que uma das presas estava na cama e suas pernas estavam em moldes. No dia 14 de agosto, no mesmo ano, fui chamada para o hospital e meu nome estava escrito em um pedaço de papel. Eu não sabia o porquê. Além de mim, outras oito meninas foram chamadas ao hospital. Fomos chamadas no momento em que normalmente as execuções aconteciam e eu estava indo para ser executada porque antes, algumas meninas foram. No hospital, fomos colocadas na cama e o quarto de hospital em que ficamos estava trancado. Nós não fomos informadas sobre o que estávamos fazendo no hospital e quando uma das minhas companheiras colocou a pergunta, ela foi atendida por um sorriso irônico. Em seguida, uma enfermeira alemã chegou e me deu uma injeção na minha perna. Após essa injeção eu vomitei e fui colocada em uma maca do hospital e me trouxeram para a sala de cirurgia. Lá, Dr. Schidlauski e Rosenthal me deram a segunda injeção intravenosa no braço. Um pouco antes, notei Dr. Fischer, que saiu da sala de cirurgia e tinha luvas. Então eu perdi a consciência e quando eu acordei notei que eu estava em um quarto de hospital regular. Eu recuperei minha consciência por um tempo e eu senti dor na minha perna. Então eu perdi a consciência novamente. Eu recuperei minha consciência na parte da manhã e, em seguida, notei que minha perna estava engessada desde o tornozelo até o joelho e eu senti uma dor muito forte nesta perna e uma alta temperatura. Percebi também que a minha perna estava inchada dos dedos dos pés até a virilha. A dor foi aumentando e a temperatura também, e no dia seguinte eu notei que um líquido escorria da minha perna. O terceiro dia fui colocado em um carro do hospital e levada para o vestiário. Então eu vi o Dr. Fischer novamente. Ele tinha um vestido operacional e luvas de borracha nas mãos. Um cobertor foi colocado sobre meus olhos e eu não sei o que foi feito com a minha perna, mas eu senti muita dor e tive a impressão de que alguma coisa deve ter sido cortado da minha perna. Estavam presentes: Schildauski, Rosenthal e Oberhauser. Após a mudança do curativo, fui colocada novamente no quarto de hospital regular. Três dias depois, foi novamente levado para o vestiário, e o curativo foi mudado pelo Dr. Fischer com a ajuda do mesmo médico, e eu estava com os olhos vendados, também. Eu então fui enviada de volta para o quarto do hospital regular. Os próximos curativos foram feitos pelos médicos do acampamento. Duas semanas mais tarde, fomos todas levadas novamente para a sala de cirurgia e colocadas nas mesas de operação. O curativo foi removido, e essa foi a primeira vez que eu vi minha perna. A incisão foi tão profunda que eu podia ver o osso. Disseram-nos, em seguida, que havia um médico de Hohenlychen, Doutor Gebhardt, viria nos examinar. Estávamos à espera de sua chegada por três horas deitadas em nossas mesas. Quando veio, uma folha foi colocada sobre os nossos olhos, mas eles removeram a folha e vi-o por um breve momento. Em seguida, fomos levadas novamente para nossos quartos regulares. Em oito de setembro eu fui enviada de volta para o bloco. Eu não podia andar. O pus foi drenando de minha perna, a perna estava inchada e eu não conseguia andar. No bloco, eu fiquei na cama por uma semana e, depois, fui chamada para o hospital novamente. Eu não conseguia andar e eu fui levado por minhas companheiras. No hospital eu conheci algumas das minhas companheiras que estavam lá para a operação. Desta vez, eu tinha certeza que ia ser executada, porque eu vi uma ambulância diante do escritório que foi usada pelos alemães para o transporte de pessoas destinadas à execução. Em seguida, foram levadas para o vestiário, onde Dra. Oberhauser e Schidlauski examinaram as pernas. Fomos colocadas para a cama novamente, e no mesmo dia, à tarde, fui levada à sala de cirurgia e a segunda operação foi realizada na minha perna. Fui colocado para dormir, da mesma forma como antes, tendo recebido uma injeção. E, desta vez, eu vi novamente Doctor Fischer. Acordei na sala de hospital regular e senti uma dor forte e a temperatura mais elevada.

Os sintomas eram os mesmos. A perna estava inchada e os pus fluía da minha perna. Após esta operação, os curativos foram mudados pelo Dr. Fischer, de três em três dias. Mais de dez dias depois, fomos levadas novamente para a sala de cirurgia, colocadas sobre a mesa, e foi-nos dito que o Dr. Gebhardt viria a examinar nossas pernas. Esperamos por um longo tempo. Então ele chegou e examinou as nossas pernas enquanto estávamos com os olhos vendados. Desta vez, outras pessoas chegaram com Dr. Gebhardt, mas não sei seus nomes, e não me lembro de seus rostos. Depois, fomos levadas em leitos hospitalares de volta para os nossos quartos. Após esta operação eu me senti ainda pior, e eu não podia me mover. Enquanto eu estava no hospital, a crueldade da Dra. Oberhauser foi realizada em mim.

Quando eu estava no meu quarto, eu observei outros prisioneiros que foram operados em condições muito ruins e que não tinham recebido ainda a possibilidade de se recuperar. Esta observação deve ter sido ouvida por um enfermeiro alemão que estava sentado no corredor porque a porta do nosso quarto levando para o corredor foi aberta. O enfermeiro alemão entrou na sala e disse-nos para nos levantarmos e nos vestir. Nós respondemos que não poderia seguir sua ordem, porque tínhamos grandes dores nas pernas e não conseguíamos andar. Em seguida, a enfermeira alemã veio com Dra. Oberhauser em nosso quarto. Dra
. Oberhauser nos disse para nos vestir e vir para o vestiário. Nós colocamos nossos vestidos, e, sendo incapaz de andar, tivemos que pular em uma perna vai para a sala de cirurgia. Depois de um salto, tínhamos que descansar. Dra. Oberhauser não permita ninguém para nos ajudar. Quando chegamos na sala de cirurgia, bastante exaustas, Dra. Oberhauser apareceu e disse-nos para voltar porque a mudança de curativo não aconteceria naquele dia. Eu não podia andar, mas alguém, um prisioneiro, cujo nome não me lembro, me ajudou a voltar para o quarto. 


Pergunta: Testemunha, disse ao Tribunal que foram operados pela segunda vez sobre o 16 de setembro de 1942? É isso mesmo?
 

R: Sim, eu fiz. 

Pergunta: Quando deixou o hospital depois desta segunda operação? 

R: Depois da segunda operação, saí do hospital em 06 de outubro 

Pergunta: Sua perna foi curada naquela época?
 

R: Minha perna estava inchada, me causou grande dor, e o pus estava drenando minha perna. 

Pergunta: Você era capaz de trabalhar? 

R: Eu era incapaz de trabalhar, e tive que ficar na cama, porque não conseguia andar. 

Pergunta: Você se lembra de quando saiu da cama e foi capaz de caminhar?

R: Eu fiquei na cama várias semanas, e então me levantei e tentei andar. 

Pergunta: Quanto tempo se passou até que sua perna ficar curada? 

R: O pus estava fluindo da minha perna até junho de 1943, e naquela época minha ferida foi curada. 

Pergunta:
Lhe operaram de novo?
 

R: Sim, fui operada novamente no Bunker. 

Pergunta: No Bunker? Isso não era no hospital?
 

R: Não no hospital, mas no Bunker. 

Pergunta: Você vai explicar para o Tribunal como isso aconteceu?
 

R: Posso pedir permissão para contar algo que aconteceu em março de 1943, março ou fevereiro 1943? 


Tudo bem. 

R: No final de fevereiro de 1943, Dra. Oberhauser nos chamou e disse: "Essas meninas são novas cobaias", e fomos conhecidas com este nome no campo. Então, compreendemos que eram pessoas destinadas à experimentação e decidimos protestar contra o desempenho dessas operações em pessoas saudáveis.

Nós elaboramos um protesto por escrito e fomos para o comandante do campo. Não só aquelas meninas que haviam sido operadas antes, mas as outras meninas que foram chamadas ao hospital vieram para o escritório. As meninas operadas usaram muletas e elas foram, sem qualquer ajuda.

Eu gostaria de dizer o conteúdo da petição feita por nós. Nós, abaixo assinados, prisioneiros políticos poloneses, perguntamos ao Comandante se ele sabia que, desde o ano de 1942 no hospital, operações experimentais no acampamento foram realizadas sob o nome de cobaia, como explicar o significado dessas operações? Nós perguntamos se fomos operadas como resultado de sentenças proferidas em nós, porque, tanto quanto sabemos, o direito internacional proíbe a realização de operações ainda em presos políticos.

Nós não recebemos qualquer resposta, e não foram autorizados a falar com o comandante. No dia 15 de agosto de 1943, uma policial veio e leu os nomes das dez novas prisioneiras. Ela nos disse para segui-la para o hospital. Nós nos recusamos a ir para o hospital, como pensávamos que estávamos destinadas a uma nova operação. A policial nos disse que estávamos indo provavelmente para sermos enviadas para a fábrica de trabalho fora do acampamento. Nós queríamos ter certeza se a "Arbeitsamt" estava aberta porque era domingo. A policial nos disse que tínhamos que ir para o hospital e sermos examinadas por um médico antes de irmos para a fábrica. Nós nos recusamos a ir, porque estávamos certas de que seríamos mantidas no hospital e operadas novamente. Todas as prisioneiras do campo foram orientadas a permanecer nos blocos. Todas as mulheres que viviam no mesmo bloco onde eu estava foram solicitadas a deixar o bloco e ficar em fila dez de cada vez. Então o superintendente Binz apareceu e chamou dez nomes, e entre eles estava o meu nome. Saímos da linha estava diante do nono bloco na linha. Então Binz disse: "Por que você está tão em sintonia como se estivesse a ser executada?" Dissemos a ela que as operações eram piores para nós do que as execuções e que preferíamos ser executadas em vez de ser operadas novamente. Binz nos disse que ela podia nos dar trabalho, mas nós estávamos sendo enviadas para o trabalho fora do Campo. Dissemos a ela que os presos pertencentes ao nosso grupo não estavam autorizados a deixar o campo e ir para fora do acampamento. Então ela nos fez segui-la até seu escritório, para nos mostrar um documento provando que iríamos ser enviadas para o trabalho em uma fábrica fora do acampamento. Ela entrou em seu escritório por um tempo e depois foi para a cantina, onde o comandante do campo estava. Ela teve uma conferência com ele, provavelmente, perguntando-lhe o que fazer com a gente. Ficamos perante o Instituto de meia hora. Nesse meio tempo uma companheira de prisão que costumava trabalhar na cantina passou por nós. Ela nos disse que Binz pediu ajuda de homens da SS para nos levar à força para o hospital. Ficamos por algum tempo e, em seguida, Binz saiu da cantina acompanhado pelo Comandante do Campo. Ficamos por algum tempo perto do portão do acampamento. Estávamos com medo dos homens da SS viriam para nos levar, e por isso fugimos misturadas com outras pessoas que estavam diante do bloco. Então Binz e a polícial do acampamento apareceram. Eles nos levaram para fora das linhas de força. 


Ela nos disse que ia nos colocar no bunker, como punição, porque nós não seguimos suas ordens. Em cada célula foram colocadas cinco prisioneiras, embora uma célula se destinava apenas a uma pessoa. As células eram bastante escuras, sem luzes. Ficamos no bunker a noite inteira e no dia seguinte. Dormimos no chão, pois havia apenas um sofá na célula. No dia seguinte, foi nos dado um pequeno almoço composto por café preto e uma fatia de pão escuro. Em seguida, fomos novamente bloqueadas neste quarto escuro. Nós estavamos preocupadas com as pessoas andando no corredor do bunker. 


A resposta nos foi dada no mesmo dia, na parte da tarde. A guarda do bunker desbloqueou nossa cela e me tiraram dela. Eu pensei que então eu ia ser interrogada ou espancada. Eles me levaram e saíram para o corredor. Ela abriu uma porta e atrás da porta estava Dr. Trommel. Ele me disse para segui-lo. Notei que havia outras células, e as células estavam com roupas de cama. Ele me colocou em uma das celas. Então ele me perguntou se eu aceitaria uma pequena operação. Eu disse a ele que eu não concordava com isso, porque eu já tinha sofrido duas operações. Ele me disse que ia ser uma operação muito pequena e que não ia me prejudicar. Eu disse a ele que eu era uma prisioneira política e que a operação não podia ser realizada sobre os presos políticos sem o seu consentimento. Ele me disse para deitar na cama, eu me recusei a isso. Ele repetiu isso duas vezes. Então, ele quis sair da cela e eu o segui. Ele foi rapidamente as escadas e trancou a porta. Em pé diante da celula notei uma célula no lado oposto da escadaria, e também notei alguns homens vestidos para operação. Houve também uma enfermeira alemã pronta para dar uma injeção. Perto da escada havia uma maca. Isso deixou claro para mim que eu estava indo para ser operada novamente no bunker. Eu decidi me defender até o último momento. Em um momento Trommel veio com dois homens da SS. Um desses homens da SS me disse para entrar na célula. Eu me recusei a fazê-lo, então ele me forçou para dentro da célula e me jogou na cama.

Dr. Trommel me pegou pelo pulso esquerdo e puxou meu braço para trás. Com a outra mão ele tentou me amordaçar, colocando um pedaço de pano na minha boca, porque eu gritei. O segundo homem da SS pegou minha mão direita e estendeu-la. Dois outros homens da SS me seguraram pelos pés. Imobilizada, senti que alguém estava me dando uma injeção. Eu me defendi por muito tempo, mas depois fiquei fraca. A injeção teve seu efeito, eu me senti sonolenta. Ouvi Trommel dizendo: "Das ist Fertig", isso é tudo.

Eu recuperei a consciência novamente, mas não sei quando. Então eu notei que uma enfermeira alemã estava tirando meu vestido, então eu perdi a consciência novamente, eu recuperei na parte da manhã. Então eu notei que os meus pés estavam em talas de ferro e estavam enfaixados dos dedos do pé à virilha. Senti uma forte dor em meus pés, e uma alta temperatura.

Na tarde do mesmo dia, uma enfermeira alemã veio e me deu uma injeção, apesar dos meus protestos, ela deu essa injeção na minha coxa e me disse que ela tinha que fazer isso. Quatro dias após esta operação um médico de Hohenlychen chegou, mais uma vez me deu uma injeção para me colocar para dormir, e como eu protestei, ele me disse que ele iria mudar o curativo, eu senti uma temperatura mais alta e dores fortes nas pernas.

Pergunta: Agora testemunha, quando foi que você foi removida do bunker após esta operação?
R: Dez dias após a operação realizada no bunker fui levada - na noite - para o hospital.

Pergunta: Bem, isso deve ter sido em torno da última parte de agosto, é isso mesmo; agosto 1943?
R: Sim, foi.

Pergunta: 
Agora, houve 
outra operação realizada em você em setembro de 1943? 

R: Em 15 de setembro de 1943 fui novamente levada para a sala de cirurgia e uma nova operação foi realizada na minha perna esquerda.

Pergunta: Agora, na operação no bunker operaram ambas as pernas, não é mesmo?
R: Sim no bunker Fui operado em ambas as pernas.

Pergunta: Na operação no bunker, suas pernas estavam sujas na manhã seguinte, depois de acordar, ou seja, após a operação?
R: Quando acordei depois da operação que sofri no bunker, notei que meus pés estavam sujos, cobertos de lama, que não tinham sido lavados antes da operação.

Pergunta: Quem realizou essa operação em torno de 15 de setembro 1943, no hospital do acampamento, você sabe?
R: O médico de Hohenlychen que chegou. Fui levada para a sala de cirurgia, me foi dada uma injeção, e uma operação foi realizada na minha perna esquerda.

Pergunta: Você sabe o nome do homem que realizou a operação?
R: A enfermeira alemã me disse que este era um médico de Hohenlychen, assistente do médico-chefe, cujo nome era Hartmenn - Dr. Hartmann. No entanto, eu não sei se ele realmente executou a operação.

Pergunta: Será que a enfermeira quis dizer que Hartmenn foi assistente Dr. Gebhardt?
R: Ela me disse apenas que era um médico, um assistente, a partir de Hohenlychen.

Pergunta:
Tudo bem. Agora, após esta operação em sua perna esquerda em meados de setembro de 1943, eles fizeram, várias semanas depois, uma operação sua perna direita?
R: Duas semanas mais tarde, uma segunda operação foi realizada na perna esquerda, embora pus foi drenado da minha antiga ferida, e um pedaço de osso da canela foi removido.

Pergunta: Agora, testemunha, eu estou um pouco confuso. Eu pensei que você nos disse que em 15 de setembro de 1943, operavam em sua perna esquerda. Perguntei se duas semanas mais tarde eles realizaram uma operação em sua perna direita.
R: Em 15 de setembro de 1943 a minha perna direita foi operada, apesar das feridas, e duas semanas depois, minha perna esquerda, foi operada.

Pergunta: Agora, você pode dizer, testemunha, que eles removeram um pedaço de osso da canela de vocês nessas operações? 
A: Sim, eu posso.

Pergunta: Agora, quanto tempo você ficou no hospital após estas operações em setembro de 1943?
R: Eu fiquei no hospital seis meses. Eu estava na cama. Eu não podia esticar as pernas. Eu não conseguia movê-las. Eu não conseguia andar também.

Pergunta: Quando foi removida do hospital?
R: No final de fevereiro de 1944.

Pergunta: Você era capaz de andar, então?
R: Tentei andar naquele momento, mas não podia andar.

Pergunta: Que tipo de trabalho você fez, então?
R: Quando cheguei no bloco, eu fiquei na cama por um tempo e depois eu costumava trabalhar com meias de tricô.

Pergunta: Você recebeu qualquer tratamento para qualquer uma das pernas desde que foi libertada de Ravensbrueck?
R: Não.

Pergunta:
Você ainda sofre os efeitos dessas operações?
R: Esta semana, não tenho forças para trabalhar e minhas pernas ficam inchadas muito facilmente.

Pergunta: 
Testemunha, estou entregando a você duas imagens. Estes são documentos n º s 108 e 108 1A 1B. São fotos tiradas de você aqui em Nuremberg?
R: Sim, elas são.

Pergunta:
Eu vou enviar essas fotos como Ministério Exhibit 211. Agora, testemunha, por favor retire os sapatos e as meias de ambas as pernas. Você vai sair de trás da caixa de testemunha e que o Tribunal ver as cicatrizes em suas pernas.

(A testemunha cumpriu.)

Agora vire-se uma vez, por favor. Apenas vire-se lentamente. Obrigado. Sente-se agora.

Você já concordou com qualquer uma dessas operações que lhe foram submetidas em Ravensbrueck?

R: Nunca.

Pergunta:
Quantas vezes você viu Gebhardt?
R: Duas vezes.

Pergunta: Vou pedir-lhe para descer e andar sobre a doca dos réus e ver se vai ou não encontrar o homem Gebhardt no banco dos réus.

(A testemunha concordou e apontou para o réu Gebhardt)

Obrigado. Sente-se.

Vou pedir que mostre que a testemunha identificou corretamente o réu Gebhardt.

O PRESIDENTE: O registro mostra que a testemunha identificou o réu Gebhardt no banco dos réus.

MR. MC HANEY: Eu não tenho dúvidas neste momento.



Fonte: http://www.ushmm.org/information/exhibitions/online-features/special-focus/doctors-trial/testimony-vladislava-karolewska


terça-feira, 13 de agosto de 2013

Linha do Tempo do Holocausto

destaque

- 1924: Hitler escreve seu único livro Mein Kampf (Minha luta), quando esteve preso. A obra se tornou a bíblia do nacional-socialismo e as vendas do livro explodiram em 1933, quando ele sobe ao poder.
(Fonte: livro LTI: a linguagem do Terceiro Reich, de Victor Klemperer, tradução de Miriam Bettina Paulina Oelsner)


- 1933:
Em 30 de janeiro Paul von Hindenburg, presidente da Alemanha, nomeia Hitler para o cargo de chanceler do Reich, incumbindo-o de formar um novo governo. O partido nazista chega ao poder. Na noite do dia 27 de fevereiro, um incêndio criminoso destrói o Reichstag, o parlamento alemão, em Berlim. O jovem comunista holandês Marinus van de Lubbe será condenado à morte pelo crime, na verdade praticado pelos nazistas.

(Fonte: livro LTI: a linguagem do Terceiro Reich, de Victor Klemperer, tradução de Miriam Bettina Paulina Oelsner)

- 1934: Em 30 de junho ocorre a noite das facas longas (Nacht der langen Messer), quando as tropas da SS, comandadas por Himmler, assassinam o general Ernst Röhm, chefe da SA, e cerca de 1,2 mil correligionários seus, com a aprovação de Hitler. Poucas semanas depois morre o presidente Hinderburg. Hitler se proclama chanceler e presidente plenipotenciário da Alemanha, o Füher.
(Fonte: livro LTI: a linguagem do Terceiro Reich, de Victor Klemperer, tradução de Miriam Bettina Paulina Oelsner)

- 1935:
Começam os afastamentos e proibições de certos trabalhos a judeus. Victor Klemperer, por exemplo, é afastado do serviço público por ser judeu, no contexto de "purificação" nazista do Estado alemão.
(Fonte: livro LTI: a linguagem do Terceiro Reich, de Victor Klemperer, tradução de Miriam Bettina Paulina Oelsner)

- 1936: Olimpíadas de Berlim. Qualquer vestígio de antissemitismo permanece ocultado.
(Fonte: livro LTI: a linguagem do Terceiro Reich, de Victor Klemperer, tradução de Miriam Bettina Paulina Oelsner)

- 1938: Em 13 de março Hitler anexa a Áustria à Alemanha. Judeus são proibidos de frequentar bibliotecas públicas na Alemanha. Em 9 de novembro ocorre a Noite dos Cristais (Kristallnacht), com ataques generalizados contra judeus e sinagogas. 
(Fonte: livro LTI: a linguagem do Terceiro Reich, de Victor Klemperer, tradução de Miriam Bettina Paulina Oelsner)

- 1939: O exército alemão invade a Polônia. Começa a Segunda Guerra Mundial.

- 1940: As casas dos judeus passam a ser confiscadas e alguns deles são obrigados a desempenhar trabalho forçado e gratuito aos alemães.
(Fonte: livro LTI: a linguagem do Terceiro Reich, de Victor Klemperer, tradução de Miriam Bettina Paulina Oelsner)

- 1941: Todos os judeus são obrigados a portar a estrela amarela de Davi na roupa, sob risco de morte se não as portasse. Teria sido neste ano também que o termo "Solução Final" fora usado com o objetivo de exterminar todos os judeus europeus. Câmaras de gás móveis foram utilizadas: o cano de escapamento dos caminhões havia sido reajustado para liberar um gás letal, o monóxido de carbono, dentro dos compartimentos totalmente vedados na carroceria. Três campos de extermínio -- Belzec, Sobibor e Treblinka -- foram criados na Polônia com o objetivo único de facilitar o extermínio em massa.
(Fonte Museu do Holocausto de Washington).

- 1943: Em 31 de janeiro o exército alemão, sob o comando do marechal Friedrich von Paulus, se rende en Stalingrado. É um momento decisivo para a guerra, porque os alemães começam a perder força.
(Fonte: livro LTI: a linguagem do Terceiro Reich, de Victor Klemperer, tradução de Miriam Bettina Paulina Oelsner)

- 1944: O general Claus Schenk, em 20 de julho, tenta matar Hitler, levando uma bomba para uma reunião com o Führer. O atentado falha e os cinco envolvidos são enforcados.
(Fonte: livro LTI: a linguagem do Terceiro Reich, de Victor Klemperer, tradução de Miriam Bettina Paulina Oelsner)

- 1945:
Acossado pela chegada do Exército Vermelho a Berlim, Hitler se suicida em 29 de abril, designando Goebbels como seu sucessor. Este se suicida no dia seguinte, junto com a maior parte dos principais assessores. A Alemanha se rende em 8 de maio.
(Fonte: livro LTI: a linguagem do Terceiro Reich, de Victor Klemperer, tradução de Miriam Bettina Paulina Oelsner)

- 1949:
A República Federal Alemã (Alemanha Ocidental) e a República Democrática Alemã (Alemanha Oriental) são proclamadas oficialmente.

- 1989:
Cai o Muro de Berlim.

- 1990: A Alemanha é reunificada.

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