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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Heinrich Himmler



Heinrich Himmler 

Nascimento: 7 de outubro de 1900 Munique, Império Alemão 
Morte: 23 de maio de 1945 (44 anos) Lüneburg 
Nacionalidade: Alemanha 
Cargo: Líder da SS, Ministro do Interior do Terceiro Reich Serviço militar Patente Reichsführer-SS 



Foi o comandante da Schutzstaffel (Reichsführer-SS) e um dos mais poderosos homens da Alemanha Nazi (1933-1945). Foi uma figura chave na organização e execução do Holocausto.





Biografia 
  
     Nascido perto de Munique, na Baviera, Alemanha, numa família de classe média. Filho de um reitor bávaro, estudou na escola de Landshut. Após a sua graduação, Himmler foi designado como um cadete, em 1918. 
     Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), entrou para o 11º Regimento bávaro. Um pouco antes, Himmler foi promovido como oficial, entretanto, a guerra terminou e Himmler foi retirado do exército sem ter estado em combate. 
     Em 1919, um ano após o fim da Primeira Guerra Mundial, Himmler começou a estudar ciências agrícolas num colégio técnico, em Munique. Durante o seu tempo como estudante, foi um membro activo de vários clubes estudantis. Ao mesmo tempo, tornou-se ativo nos Freikorps, exércitos privados da ala direita de ex-soldados do Exército Alemão, ressentidos pela derrota da Alemanha na Primeira Guerra Mundial. Himmler entrou para o Reichsführer-SS e, em 1923, aderiu ao Partido Nazi, que então estava recrutando membros do Freikorps como potenciais membros das novas unidades Nazis, a Sturmabteilung (SA). Partido Nazi Em 1923, Himmler era um sargento Feldwebel na Reichkriegsflagge e carregou a Signa Imperial Alemã de Batalha no chamado Putsch da Cervejaria, em 8 de Novembro de 1923, quando o partido Nazi falhou em uma tentativa de tirar o governo da Baviera do poder. 
      Entre 1923 e 1925, com o partido Nacional-Socialista lutando por uma causa perdida, Himmler dedicou-se a outras atividades e com o seu diploma de agricultura tornou-se um fazendeiro de aves domésticas. Não sendo bem sucedido, voltou ao refundado partido Nazi, já nos fins de 1926. 
Em 1927, casou-se com Margaret Boden. Rapidamente Himmler foi posto para trabalhar no partido nazista e tornou-se vice-comandante de distrito e deputado Gauleiter da Baviera-Superior e também secretário da Oberste SA-Führer Franz Pfeffer von Salomon. Foi, então, nomeado, sucessivamente, SA-Sturmführer em 1926, Oberführer e depois SS-Gauführer em uma pequena unidade da SA conhecida como Schutzstaffel, ou SS. 
      Em 1927, tornou-se vice-comandante da SS, até que aceitou a tarefa de ser seu vice-líder. Ascensão na SS Entre 1927 e 1929, Himmler dedicou-se crescentemente às tarefas como vice-Reichsführer-SS. Com a demissão do comandante da SS Erhard Heiden, foi designado o novo Reichsführer-SS em janeiro de 1929. Na ocasião, foi nomeado para conduzir a SS, que possuía apenas 280 membros, e considerada um batalhão insignificante perto da grande SA. Até então, Himmler era chamado de SA-Oberführer, mas depois de 1929, se autodeclarou como "Reichsführer-SS".
      Em 1933, quando o partido nazista começou a ganhar poder na Alemanha, Himmler já havia conseguido 52000 membros para a SS, e a organização desenvolveu severos requisitos sociais para assegurar que todos os membros fossem arianos assim como o Führer. Himmler, então, se esforçou para livrar a SS do controle da SA, introduzindo uniformes pretos, para substituir as camisas marrons da SA. Posteriormente, foi promovido a SS-Obergruppenführer und Reichsführer-SS, e passou a possuir poderes iguais a de um comandante da SA, que nessa época detestaram o poder que a SS passou a ter. Tanto Himmler como Hermann Göring, e outros braços direitos de Hitler, concordaram que a SA e seu líder, Ernst Röhm, eram uma ameaça não só para o exército alemão como também para toda a liderança nazista na Alemanha. Röhm acreditava que, embora Hitler tivesse ganhado poder na Alemanha, a "real" revolução ainda não tinha começado, deixando alguns líderes nazistas com a convicção de que Röhm poderia usar a SA para tentar um golpe. 
      Com alguma persuasão de Himmler e Göring, Hitler começou a sentir ameaçado, e ordenou a morte de Röhm. Ele delegou esta tarefa a Himmler e Göring que, junto com Reinhard Heydrich, Kurt Daluege e Walter Schellenberg, executaram-no com muitos outros funcionários de alto cargo da SA, episódio que ficou conhecido como A Noite das Longas Facas em 30 de junho de 1934. No dia seguinte, o título de Himmler de Reichsführer-SS tornou-se o grau de liderança e permaneceu nessa posição enquanto a SS se tornou uma organização independente do Partido Nazista. 


Consolidação do poder Heinrich Himmler em visita ao Campo de concentração de Dachau. 

      Em 1936 Himmler tinha ganhado mais autoridade, enquanto a SS absorviam todas as agências policiais locais no novo Ordnungspolizei, considerado um quartel-general da SS. As forças da polícia secreta alemã estavam também sob autoridade de Himmler na Sicherheitspolizei que se expandiu, em 1939, no Reichsicherheitshauptamt. Os SS estavam a desenvolver o seu ramo militar, conhecido como SS-Verfügungstruppe, que mais tarde viria a ficar conhecido como Waffen-SS. Himmler e o Holocausto Após a Noite das Longas Facas, a SS-Totenkopfverbande ficaram com a tarefa de organizar e administrar todos os campos de concentração do regime da Alemanha, e após 1941, os campos de extermínio da Polónia. 
      A SS, através do seu braço de inteligência, as Sicherheitsdienst (SD), foi encarregada de encontrar judeus, ciganos, homossexuais, testemunhas de Jeová e comunistas e quaisquer outras culturas ou raças condenadas pelos Nazistas por serem Untermenschen (sub-humanos) ou em oposição deste regime, e serem colocados em campos de concentração. Himmler tornou-se num dos principais arquitectos do Holocausto, usando elementos míticos e uma opinião fanática na idelogia racista Nazi para justificar o homicídio em massa e o genocídio de milhões de pessoas.
      
A Segunda Guerra Mundial 

      Em 1944, foi concedido ainda mais poder a Himmler como resultado de uma rivalidade entre o Sicherheitsdienst (o SD) e o Abwehr (o braço de inteligência da Wehrmacht). O envolvimento de muitos dos líderes de Abwehr, incluindo seu comandante, almirante Canaris, em 20 de julho de 1944, na conspiração contra Hitler, o levou a acabar com o Abwehr e fazer o Sicherheitsdienst (SD) o único serviço de inteligência do Terceiro Reich. Isto aumentou consideravelmente o poder de Himmler. 
      Em 1944, Himmler se tornou o chefe de grupo de exército Oberrhein (Reno Superior) que estava lutando com o 7º Exército dos Estados Unidos e o 1º Exército francês na região da Alsácia no lado oeste do Reno. Himmler ficou nesse posto até 1945, quando ele foi enviado para comandar um grupo que enfrenta o Exército Vermelho no Leste. Como Himmler não tinha nenhuma experiência militar prática como comandante no campo de batalha, foi retirado da frente e designado Chefe do Exército da Alemanha. Ao mesmo tempo, foi designado como Ministro do Interior alemão e considerado por muitos um candidato a suceder Hitler como o Führer de Alemanha. 

Traição, captura, e morte Corpo de Himmler após seu suicídio. 

       Por volta de 1945, A Waffen SS de Himmler possuía 800 mil membros. Entretanto, já na primavera de 1945, Himmler perdera a fé na vitória alemã, de acordo com suas discussões com seu massagista Felix Kersten e Walter Schellenberg. Ele chegou à conclusão que, para uma vitória do regime nazista, este deveria buscar a paz com o Reino Unido e os Estados Unidos. Ele então contatou o Conde Folke Bernadotte da Suécia em Lübeck, perto da fronteira dinamarquesa, e iniciou negociações para a rendição no Leste.
       Himmler tinha esperança que os americanos e britânicos lutariam contra seus aliados russos em conjunto com o restante da Wehrmacht. Quando Hitler descobriu, Himmler foi declarado um traidor e destituído de todos seus títulos e cargos. Na época da denúncia de Himmler, ele era o Reich Leader-SS, chefe principal da SS, Chefe da Policia Alemã, Comissário chefe da nacionalidade alemã, Ministro-chefe do Interior, Comandante supremo do Volkssturm e Comandante Supremo do Exercito Interno (Home Army). 
       Himmler depois se dirigiu aos estado-unidenses como desertor, entrando em contato com Dwight Eisenhower e proclamando que entregaria toda a Alemanha para os Aliados se Himmler fosse poupado de julgamento como um líder Nazi. Num exemplo final do estado mental de Himmler, ele próprio enviou um documento ao general Eisenhower dizendo que queria se inscrever para a posição de "Ministro da Polícia" na Alemanha pós-guerra. Porém, Eisenhower se recusou a ter qualquer relação com Himmler, e ele foi, então, declarado criminoso de guerra. 
       Tentando não ser capturado, Himmler se disfarçou de membro da Gendarmerie, mas foi capturado e logo reconhecido em 22 de Maio do mesmo ano, em Bremen, Alemanha, por uma unidade do Exército Britânico. Foi marcada uma data para o julgamento de Himmler, juntamente com outros grandes criminosos de guerra, mas ele cometeu suicídio em Lüneburg, engolindo uma cápsula de cianeto antes do interrogatório. 
       Nazista temido por muitos, mas respeitado por alguns de seus colegas, muitos historiadores tem discutido se Himmler era mais guiado pelos seu subalternos do que pelas suas próprias aspirações. Sua esposa e sua filha chamada Gudrun (Burwitz) (nascida em 1929) sobreviveram a ele, e, inclusive, sua filha ainda vive na Alemanha.

 Corpo de Himmler após seu suicídio.

Retirado de: http://pt.wikipedia.org/wiki/Heinrich_Himmler

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Relíquias Incômodas do Nazismo


Marcos do Terceiro Reich viram destino de peregrinação de neonazistas, se tornam objeto de preocupação do e geram polêmica: a história, mesmo que vergonhosa, pode ser apagada?

João Loes
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A TUMBA DE RUDOLF HESS
Desde 1987, a tumba de Rudolf Hess, o terceiro homem na linha de poder da Alemanha nazista,
localizada no cemitério da cidade de Wunsiedel, era ponto de encontro de neonazistas.
Em junho, o governo local exumou o corpo, cremou os restos e espalhou as cinzas.
O local, porém, continua sendo visitado por simpatizantes do nazismo


Aos que conhecem o caso pela metade, deve soar esquisita a história do sino que, mesmo chumbado ao chão e sem nenhuma possibilidade de badalar, incomoda a pacata cidade de Tümlauer-Koog, no norte da Alemanha. Explica-se: doado pelo partido nazista em 1935, o objeto celebra o Terceiro Reich e reaviva incômodas lembranças do regime que exterminou mais de seis milhões de pessoas com aprovação de boa parte do país. Restaurada e em exposição desde 2008, a imensa peça exibe, orgulhosamente, quatro suásticas nitidamente gravadas em sua superfície e homenageia Hermann Göring, homem forte de Adolf Hitler e segundo na linha de poder do país até o fim da Segunda Guerra Mundial.

Para piorar a situação de Tümlauer-Koog, o local tem sido visitado por simpatizantes do nazismo e neonazistas, como já acontece em outros locais que guardam restos dos tempos em que Hitler conduzia a nação à loucura genocida. “Mas esconder ou destruir o objeto não é a solução”, afirma Yone de Carvalho, professora do departamento de história da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Essa foi uma das propostas feitas por Peter Harry Carstensen, governador do Estado de Schleswig-Holstein, onde fica a cidade de Tümlauer-Koog. Em novembro, depois de receber uma carta de um turista de Hamburgo que visitou a cidade e se chocou com o que viu, ele avançou sobre Christian Marwig, prefeito de Tümlauer-Koog, exigindo a remoção do sino até que as suásticas e frases fossem apagadas. A sugestão não foi bem recebida. “Por que escondê-lo?”, questionou Marwig. “Ele é parte da história da cidade.” Mas não é só o sino que liga Tümlauer-Koog ao nazismo.

A terra onde hoje está a cidade nem sequer existia antes de 1935. Naquele ano, a região, perto da fronteira com a Dinamarca, foi dragada do mar como parte do programa “terra e sangue”, criado pelos nazistas para valorizar e ampliar o território alemão. Os futuros habitantes foram escolhidos a dedo como modelos da pureza racial buscada pelos partidários do nacional-socialismo. O sino foi dado à localidade durante a cerimônia solene de sua inauguração, que contou com a presença de Göring e outros oficiais do alto escalão do partido. “Alguém realmente acredita que remover um objeto vai ser suficiente para apagar a memória desse lugar?”, pergunta Abraham Goldstein, presidente do braço nacional da entidade judaica de direitos humanos B’nai B’rith, presente em mais de 50 países. “Não faz sentido.”

Outros exemplos confirmam a desconfiança de Goldstein. Em julho, os administradores do cemitério de Wunsiedel, na Bavária, resolveram exumar, cremar e espalhar as cinzas de um de seus mais infames moradores, Rudolf Hess, segundo homem na linha de poder da Alemanha nazista. Enterrado lá desde 1987, seu túmulo atraía verdadeiras peregrinações de neonazistas, que organizavam marchas no dia de sua morte, 17 de agosto, e colocavam rosas e recados no jazigo. Concluída a limpeza, que deixou um estranho buraco entre os mármores do campo santo, se esperava que as visitas dos simpatizantes do Terceiro Reich cessassem. Não foi o que aconteceu. No lote vazio de Hess, sempre aparecem maços de flores e homenagens. “Sou pela preservação da história com contextualização adequada”, diz Goldstein.

Uma das reclamações do turista que escreveu ao governador Carstensen sobre o sino de Tümlauer-Koog tratava justamente do ponto levantado por Goldstein. A placa que explica a origem do objeto não dá detalhes do momento histórico em que ele foi criado nem explicita os horrores do nazismo. Não é impossível supor, por exemplo, que o sino tenha sido forjado por prisioneiros do regime. E nada disso consta ali. “A construção da memória acontece de forma dinâmica”, alerta Yone, da PUC-SP. Nesse sentido, largar objetos com carga subjetiva tão gigantesca sem contextualização abre caminho para interpretações que muitas vezes não condizem com a realidade. “Com as visitas constantes de neonazistas, vemos esses espaços ganhando novos significados”, diz. Trata-se de um processo inevitável, que não para mesmo se a peça for escondida, como propôs o governador Carstensen, porque a lembrança dela continuará ali. A única saída, portanto, é fornecer a informação correta a quem se depara com esses símbolos incômodos para que a voz fraca, mas insistente, do neonazismo não encontre eco.
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